Novas circulações do arquivo, fundações e mercadoria, imagens desde dentro e imagens desde afora, espaços de acumulação e espaços discursivos: o aparato curatorial a produzir significantes vazios postos à disposição de congregações de especialistas. Na realidade, Um antropólogo involuntário é uma psicogeografia em retrospectiva dos espaços do museu quebrando a transparência das representações, minorando o peso da estrutura institucional, inquirindo sobre a fame e a enfermidade do regime apresentada como o retrato dum povo, sobre a identificação administrativo policial exibida como um quadro etnográfico. É preciso fazer mais uma caminhada aleatória: em cada negação autoral que encontramos, em cada ausência de relações, eis uma representação dignificante da tirania. Emanipação é re-imaginar as imagens na vida, aceder aos itinerários do silêncio ideado polo desenho, caminhar enfim entre os nomes e mais as vozes.

Castinheiras, Agosto 2017